segunda-feira, 6 de maio de 2013

Kenshô e Satori




      Boa noite, meus caros. Como vão todos vocês? Por favor, entrem e fiquem à vontade, como sempre.
      Hoje vamos falar sobre algumas coisas bastante interessante: kensho e satori.
     Primeiro, vamos ao conceito. Ambas as palavras vêm da filosofia budista e se referem ao conceito de iluminação.  A primeira significa um momento de iluminação, uma pequena verdade, um pensamento oriundo de uma experiência que responde a alguma dúvida que o indivíduo tem, mas não o suficiente para alcançar uma iluminação definitiva. Depois de se ter um Kensho, o indivíduo fica mais próximo a ela.  Já o satori é a iluminação definitiva, que vem depois de vários kenshos. É o estado do Buda Siddharta Gautama, por exemplo. Poderíamos também citar Jesus Cristo, que sem dúvida era um homem iluminado.



 Se ficou muito confuso, será melhor dar uma explicação. Vamos usar como exemplo Siddharta Gautama. Aos 29 anos, saiu do seu palácio para uma vida de iluminação. No processo, ele consultou alguns mestres que falaram sobre privações (como jejum) como um meio para se atingir a iluminação. Porém dizem que ele estava de passagem em uma vila e ouviu uma conversa em que um indivíduo dizia que se deveria afinar as cordas de um instrumento na medida certa, senão a corda partiria. Siddharta ao ouvir isso fez a relação com o processo de busca pela iluminação pelo qual estava passando: se ele se sacrificasse por demais, se ele elevasse seu corpo a extremos, ele não conseguiria atingir o Nirvana. Ele teve um Kensho, uma pequena iluminação. Resumindo: ele teve um kensho, que facilitou o seu caminho para o satori, a iluminação definitiva. Parece-me que não é possível ter satoris antes de ter pelo menos um Kensho. O próprio Siddharta teve pelo menos dois: o que citei acima e o 1°, que foi quando ele percebeu que tudo perece e que não adiantaria se apegar às coisas.
Provavelmente, muitos tem kenshos durante a sua vida, porém não se dão conta disso. Desta forma, não aproveitam a importância do momento. O Kensho é uma resposta definitiva para um problema. Lembrando que o kensho é algo subjetivo, ele não se volta para uma verdade absoluta, depende da condição do indivíduo.
Posso citar como exemplo um que tive há cerca de 3 anos atrás. Antes dele, eu achava-me inferior a outras pessoas, acreditava que elas eram todas melhores do que eu. No entanto, esse pensamento batia de frente com outro pensamento meu: o de que todas as pessoas são iguais. Ora, se todos são iguais, por que seria eu inferior aos outros? O que me tornaria especial, o que me faria tão pior? Fazendo essas reflexões, eliminei esse erro de minha mente e o sofrimento que vinha dele, e desde então, não sofri mais com isso. Perceberam a subjetividade do momento? Foi um kensho pessoal, de acordo com a visão distorcida que tinha de mim mesmo. Recentemente, tive mais um, precisamente na madrugada da última sexta para o sábado. As explicações em relação a ele são longas, mas resumindo: esse último kensho fez-me aceitar melhor os elogios em relação à minha pessoa. Eu os aceitava naturalmente em relação a meu trabalho artístico, mas não em relação à minha pessoa. Devo agradecer este momento único a uma amiga minha, Sharon, que me fez duras, mas bem- vindas críticas, exatamente um dia antes do precioso momento (criticas... aprecio por demais fazê-las, especialmente recebe-las). Desde o último final de semana, sinto-me mais leve e um ser humano melhor, embora ainda haja muito o que corrigir.
Bom, encerro minha fala aqui. E então, ficou alguma dúvida? Alguns de vocês já tiveram esse momento? Não precisam descrever, pois é algo pessoal demais na maioria das vezes. Fiquem à vontade.


    
    

     
      

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